No Brasil a Teoria da Resposta ao Item (TRI) tem sido empregada principalmente na produção de índices de proficiência para alunos que respondem a testes de avaliação educacional em larga escala. O exemplo mais evidente é a sua utilização no Enem 2010 – Exame Nacional do Ensino Médio.
O Enem 2010 utiliza a mesma Matriz de Referência do Enem 2009, sendo composto por quatro provas objetivas, contendo cada uma 45 (quarenta e cinco) questões de múltipla escolha, e por uma proposta para redação. As quatro provas objetivas avaliarão as seguintes áreas de conhecimento do ensino médio e respectivos componentes curriculares:
- Prova I – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação: Língua Portuguesa, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes e Educação Física;
- Prova II – Matemática e suas Tecnologias: Matemática;
- Prova III – Ciências Humanas e suas Tecnologias: História, Geografia, Filosofia e Sociologia;
- Prova IV – Ciências da Natureza e suas Tecnologias: Química, Física e Biologia.
Conforme diversos autores (ver, por exemplo Baker, 1993), a teoria a resposta ao item surgiu com os trabalhos pioneiros de Lord (1952) e Rasch (1960). Esses autores foram os primeiros a propor modelos estatísticos paramétricos para itens de testes, que associavam a probabilidade de uma dada resposta (inicialmente, certa ou errada) a uma variável latente (não observada) interpretada como sendo a proficiência ou habilidade dos respondentes dentro de um contexto de testes para avaliação educacional ou avaliação psicométrica. Inicialmente, foi utilizada a distribuição normal acumulada na especificação do modelo. Birnbaun (1968) sugeriu utilizar a função logística pois, pelo fato de ser uma função explícita dos parâmetros dos itens e da proficiência, é matematicamente mais convenientemente. Desde então, essa teoria tem tido notável avanço teórico, sendo que novos modelos têm sido incorporados, o que tem trazido grande versatilidade a suas aplicações.
É o caso dos modelos politômicos, que incorporam várias categorias das respostas (além das dicotômicas: certo ou errado), os modelos multidimensionais, que permitem produzir escalas para mais de uma variável latente associada, por exemplo, quando se admite à idéia de diferentes habilidades para o desenvolvimento cognitivo do aluno e, ainda, os modelos que incorporam comportamento diferenciado entre os itens em grupos diferentes – conhecidos como modelos para grupos múltiplos.
No caso da prova do Enem 2010 que é elaborada a partir da TRI e composta por questões de múltipla escolha (A,B,C,D e E), observa-se que, caso dois participantes acertem, por exemplo, 20 questões de uma prova específica cada um, ainda sim eles podem ter notas diferentes.
Isto se dá porque a cada questão da prova é atribuído um grau de dificuldade diferente (além dos parâmetros discriminação e o sistema antichute que integra a prova). Suponhamos que o participante tenha acertado 15 questões consideradas como fáceis e 5 como médias, e o outro tenha acertado 15 questões fáceis, 2 médias e 3 difíceis. Como as questões possuem graus diferentes, é natural que a nota final seja diferente. Outras variáveis também são agregadas ao resultado, como por exemplo a comparação entre grupos de provas, que podem ser correlacionadas.
Para o Enem as definições atribuídas pelo MEC/INEP a estas variáveis são as seguintes:
Portanto fique atento na leitura e resolução da prova, não deixe nenhuma questão sem resposta, mas evitando os chutes. Ao priorizar questões você poderá deixar de lado uma questão que vale mais por outra que pouco agregará à sua nota final.